Entrevistas

Feliz dia do Pai

18 Março, 2018 0 comments

Entrevistámos David Miranda, o nosso Super Pai e papá lamechas do blog “Duas para Um”. Nele desabafa e conta as suas peripécias diárias na companhia das duas mulheres da sua vida. Trocou o futebol por desenhos animados e o rosa passou a ser uma das suas cores preferidas. Para além de poderem conhecê-lo um bocadinho melhor, teremos certamente pais que se identificarão muito com ele.Facebook | www.duasparaum.com

 

Bebitus ( B): Olá, primeiro que tudo, obrigado por responder às nossas questões. Gostaríamos de saber, como é a vida a três?

David Miranda (DM): Olá! O prazer é todo meu! A vida a três? Acredito que seja bem mais calma do que a quatro ou cinco… Mas sem sombra de dúvida, muito mais interessante do que a um ou dois…

Há uns dias, em conversa com a mamã aqui de casa, questionava-a como foi possível termos passado tanto tempo só os dois… Olhando para trás, vejo o quão vazia é a vida sem filhos. Vazia e presa a objetivos tão fúteis como a posse de bens materiais, progressões de carreiras profissionais, ou até mesmo o simples consumo desenfreado de programas de entretenimento.

Isto, é o que significa não ter filhos. É deixar a vida passar por entre os dedos, sem que se viva aquilo que de melhor a vida tem para dar.
Sinceramente, o único arrependimento que tenho? É ter perdido tanto tempo.

 

B: Esta é difícil… Consegue explicar a sensação de ser Pai?

DM: Ser Pai, é uma autêntica montanha russa de emoções. Nunca conseguiria materializar em palavras, tudo aquilo que significa ser Pai, mas posso sem qualquer margem para dúvidas dizer que ser Pai, fez de mim um melhor Homem. Em todos os sentidos.

Se há um coisa que ser Pai fez, foi incutir em mim um sentido de responsabilidade que nunca julguei que existisse. E com esse peso, veio também um homem mais capaz, mais confiante, mais responsável, mais focado, mais sensível, mais marido, mais profissional, mais ambicioso, enfim, mais, mais, mais… Mas também, mais careca, mais cansado e mais atrasado para onde quer que vá… Mas acima de tudo, muito, mas muito mais feliz!

 

B: E de pequeno, imaginava que teria uma Dita? Sempre quis ser Pai?

DM: Sempre e muito!

Sou filho único (com tudo de bom e de mau que isso traz…) e se há coisa de que nunca gostei, foi ter passado a minha infância “sozinho”…

Desde muito cedo que prometi, não só ter filhos, como ter muitos! Aliás, quando tomámos a decisão de trazer a Dita ao mundo, esta seria apenas a primeira de 5… Depois nasceu a Dita e rapidamente, os 5 passaram a 3… Admito que me possa ter entusiasmado um pouco, mas 3 é o meu mínimo! Pelo menos até vir um segundo… Agora, o que sempre imaginei também, era ter um rapazolas! Um que fosse louco por bola, carros e lutas… Que chegasse a casa todo negro, de calças rasgadas e enlameado dos pés à cabeça! Mas afinal, para já, estou confinado a um reino encantado, de princesas e bebés, repleto de cantorias e coreografias… Mas sabem que mais? Adoro!

Todos os dias canto e danço como um desalmado (os vizinhos da frente devem gozar tanto comigo…), por no final, sendo rapaz ou rapariga, a única coisa que queremos é vê-los sorrir!

B: Uma curiosidade nossa, qual foi a primeira palavra da Dita, mama ou papá?

DM: Na verdade, foi banana!

Bem tentei que fosse papá… Confesso que durante algum tempo, a derrota esteve iminente, pois a quantidade de vezes que a Benedita disse “Mã”, anunciava que o pior estava para acontecer a qualquer momento… Os treinos decorriam sempre às escondidas da mamã, mas todos eles, sempre sem sucesso. Até que um fruto levou a melhor.

Por esta ninguém estava à espera, mas enfim, talvez até tenha sido melhor assim. Um empate técnico para ninguém ficar chateado!

 

B: Para terminar, lembra-se do melhor conselho que o seu Pai lhe deu?

DM: Não me recordo de um conselho específico que possa considerar como o melhor, mas não tenho a menor dúvida de que sou o pai que sou, graças ao pai que tive.

Muitos de nós não têm a mínima noção, ou simplesmente não pensamos no impacto que um Pai ou Mãe tem no tipo de Pai ou Mãe em que os seus filhos se tornarão. Concentram-se as atenções na educação de efeito imediato, esquecendo-se a educação a longo prazo. Aquela que só se evidenciará 20 ou 30 anos depois.

Esta é aliás, uma das minhas obsessões enquanto pai. Saber se estou a corresponder às expectativas ou desejos da minha filha, enquanto pai. São raros os dias que não lhe questiono se é feliz, se gosta do papá que tem, se gostava que fosse diferente, o que gosta mais no papá, o que gosta menos…

Não nasci ensinado, nem faço a mínima ideia como é o Pai perfeito, mas uma coisa é certa, passarei o resto dos meus dias a ser o melhor pai que consiga ser. Para que a minha filha um dia, seja uma mãe ainda melhor.

 

Muito obrigado,

 

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